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quinta-feira, 19 de julho de 2012


No comboio da vida 

Gosto muito de comboios. Adormecer embalado pelo bater das rodas nas uniões mal acabadas. Dar por mim uma ou duas estações mais à frente, parado na plataforma a olhar para trás. 
É engraçado, quando penso em comboios, a ideia que me preenche o imaginário não é de linhas paralelas, sempre paralelas, mas linhas que se cruzam nos emaranhados das estações. Talvez porque a vida se faça assim, tão aparentemente linear, eu goste tanto destas linhas, porque se podem desviar. Como uma alavanca, um botão, um clique de rato, podem decidir o futuro dos passageiros, desviados para um túnel escuro, ou então, porque a sorte nem sempre é madrasta, para uma paisagem ribeirinha, cavada em socalcos, repleta de luz.


DuArte

quarta-feira, 28 de julho de 2010


O mundo voltou a assaltar-me

Hoje inventei uma cama para acordar deitado.

Inventei os sonhos para mais uma vez não me lembrar.

Inventei os empregos, o teu horário demasiado cedo, a água a correr do teu banho.

Imaginei que te vestias encostada ao meu rosto, que me pediste um beijo na curva do teu corpo.

Hoje inventei um filho a ocupar o calor do teu lugar, a luz ténue do candeeiro, um livro do Asterix.

Reinventei os meus braços agarrados à almofada, a preguiça, o conforto da chuva lá fora.


DuArte