Mostrar mensagens com a etiqueta Texto de Iolanda Bárria; Ilustração de Miz Lucas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Texto de Iolanda Bárria; Ilustração de Miz Lucas. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Pureza e Maria da Graça
Sempre respirou com dificuldade. Um ar pesado e espesso que entra e sai, empurrado. Não chega a ser um som, mas vai e vem em crescendo e é um exército de martelos no cérebro de quem a ouve. Cinco, dez minutos que sejam ao seu lado e já só existe aquilo. A batalha da Pureza com o ar. Que todos ouvem, mas ela desconhece.
Curiosamente, não é a única. De todas a mais próxima, Maria da Graça diz que nunca deu por nada!
Iolanda Bárria
quarta-feira, 27 de julho de 2011
As obras
Uma das práticas aberrantes do nosso tempo é enchermos as casas com livros. Quantos mais, melhor.
À medida que enchemos as casas com livros, esvaziamos as bibliotecas. Esvaziam-se de livros e pior, também de sentido. Bem sei que as bibliotecas tal qual as conhecemos são jurássicas e (a não ser que tal livro não possa ser requisitado, ou porque está muito frio na rua), ninguém se quer sentar em cadeiras duras a ler debaixo de uma luz medíocre.
Mas o conceito das bibliotecas é espantosamente democrático para os dias que correm e isso é mesmo muito valioso.
(à parte):
A bibliotecária da biblioteca que frequento trata tudo o que lá existe por 'obra'. Obra para cá, obra para lá:
" - Essa obra não pode ser requisitada! De que prateleira retirou esta obra?". Só obras primas, uma ternura! mas eu às vezes também gostava que se tratassem os livros com menos reverência e mais desassombro. Seria muito bom sinal!
Quando estou de mau humor (muitíssimo raro...), apetece-me dizer-lhe: " - se você lesse um terço do que está aqui à sua volta, despedia-se pela janela, tamanha seria a náusea e a desilusão..."
Iolanda Bárria
domingo, 19 de junho de 2011
Provocatio
Escrever baixinho
Vou dizer que o que eu gostava era de saber escrever baixinho. Muito baixinho, mesmo rasteiro! Sem levantar um grão de poeira, que seja. Aquela coisa cadenciada e em clausura, sem lugar a um fugaz 'alívio imaginativo', como diz o Nuno Ramos, do 'Ó'. Só palavras atrás de palavras. Encadeadas umas nas outras. Bonitas, mas muito pouco ou nada vaidosas.
Iolanda Bárria
Subscrever:
Mensagens (Atom)


