Mostrar mensagens com a etiqueta Texto de Margarida Neves Pereira; Fotografia de Adriano Batista. Mostrar todas as mensagens
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Adeus
Chegou a altura de nos despedirmos, fiel amiga. Nos teus braços adormeci por noites a fio. Inspiraste-me nos mais profundos poemas e acompanhaste-me em todos os soluços , em todas as quedas, em todas as despedidas. Mas não sentiriei a tua falta. Ironicamente pode ser assim ingrata a natureza humana. Lembrar-me-ei de ti, primeiro com carinho e depois como quem se lembra de um rosto que perdeu a nitidez por entre as brumas do esquecimento. Mas não sentirei a tua falta, garanto-te! Não chorarei aquela tepidez com que me embalaste, nem as tuas carícias no meu rosto vazio. Não esperarei pela tua companhia, essa que em tantos momentos foi a única que tive. Mesmo sabendo-o, não me lembrarei de ti. E dito isto, resta-me dizer-te adeus: Adeus, tristeza!
Lucinda Gray
quarta-feira, 20 de julho de 2011
DIAS DOS AMIGOS - Crónica Benzodiazepina
Amigos e amigas
Vão-me perdoar, mas detesto o dia dos amigos, ou amigas, e todas as festividades carnavalescas que se seguem. É realmente curioso pois nasci numa terça-feira de Carnaval. Mesmo assim, nem associando o meu aniversário à grande “festa da carne” a aprecio. Não é pela data em si, mas pela forma como é comemorada. Odeio strip-tease organizado, quer feminino, quer masculino. Não por falso moralismo, mas há coisas que só fazem sentido se forem mais espontâneas. Irrita-me a obrigatoriedade de toda a gente perder a cabeça, beber, fazer figura de urso. Irrita-me. Mas, acreditem, adoro festa! Adoro amigos e amigas. Quem me conhece sabe que comemoro a amizade ao longo do ano até com pompa e circunstância. A histeria colectiva é que não me convence. Parece estar formatizada – o jantar, a bebedeira, o strip, e provavelmente, lágrimas no dia seguinte. Não há pachorra! Gosto demasiado dos meus amigos e amigas para os comemorar assim. A amizade para mim é uma coisa intimista, personalizada, requintada e atenta. Festejo-a frequentemente com jantares, saídas, conversas profundas ou brejeiras, pequenas loucuras, mas nunca com vulgaridade.
Lucinda Gray
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