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quinta-feira, 18 de outubro de 2012


O riso e as sombras

O riso cativa-me. Gosto de almas cheias de riso. Gosto de ver o sorriso no olhar das pessoas. A língua inglesa tem uma palavra recente, smeyes (não sei se dicionarizada) que significa sorrir com o olhar. E se o riso me cativa, as sombras fascinam-me. É a eterna dualidade que sempre me seduziu. A luz e a sombra, o bem e o mal. A nossa essência. Suponho que existem pessoas genuinamente más e pessoas verdadeiramente boas. O comum dos mortais, onde me incluo, parece-me ser ambas as coisas.


Missanga


sábado, 15 de setembro de 2012

Crónica Benzodiazepina


É mentira

Há pessoas que mentem compulsivamente e fazem-no com a mesma naturalidade com que respiram. De entre estas há os bons mentirosos, aqueles que constroem uma estória e dizem exactamente a mesma mentira vezes a fio, sem nunca se enganarem. E há os maus mentirosos que se traem a si mesmos na primeira oportunidade, incapazes de manter a mentira e muitas vezes sendo os únicos a não darem por isso.
Os restantes, os que não mentem compulsivamente, mentem de vez em quando, na maioria das vezes por alguma espécie de necessidade momentânea.
Nas raras ocasiões em que menti, além da mentira adicionei toda a espécie de justificações para que a mentira fosse efectivamente convincente. A última vez que o fiz, o visado disse-me simplesmente que não precisava de justificar nada. Só aí percebi que se não estivesse a mentir nunca me passaria pela cabeça justificar o que quer que fosse. Por ser verdadeira, a minha palavra bastaria.
Desde então tenho, quase inconscientemente, prestado mais atenção às palavras que se dizem. E é um facto incontestável. Normalmente, atrás de uma mentira vem um rol não solicitado de justificações que a denunciam.


Missanga

sexta-feira, 13 de julho de 2012



O ser dos meus dias

Há dias raros em que tudo são inexplicações. Dias em que acordo atónita, como se uma tempestade me devassasse as entranhas. Dias em que nada faz sentido. Dias em que duvido de tudo, em que questiono tudo. Dias em que deixo a solidão entrar-me na alma e fico só a olhar por entre as lágrimas.
Há outros dias, menos raros, em que tudo parece ser tão evidente. Em que tudo parece arrumado no devido lugar, como se nem pudesse ser de outro modo. Dias em que a hesitação, o medo e a tristeza não são convidados e a vida flui, leve.
E há os dias de busca, de procura. Dias em que acordo com vontade de sustentar o mundo na palma das mãos e desvendá-lo. Dias gloriosos que me enfeitiçam com poentes de assombro, palavras envoltas em magia, brisas suaves que sussurram segredos.

Que dias prefiro? Não sei, de facto. Todos eles me acrescentam, todos me completam, todos fazem de mim aquilo que sou e aquilo que serei…


Missanga