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terça-feira, 3 de julho de 2012



DESERTO URBANO

se me derem um deserto para viver.
do deserto selecciono a minha independência
para ver ao longe aquilo que ao perto
já não amanhece.
e no grande livro do nada
uma conjunção avermelhece
como estrutura transitiva,
como massa de água que resolve as luzes
e ainda assim ilumina todas as raízes.
e por fim desejo não ter de escolher as palavras.
que os dias sejam levados com os astros.
que o meu segredo seja um exercício infinito,
mapa para nenhuma coisa.


Sylvia Beirute

terça-feira, 24 de abril de 2012

Palavras Versadas

ECLÉTICO AZUL

quanto mais
quanto mais ainda menos
e o receio das palavras
de tentar ainda mais
ainda menos
um espelho de água
uns olhos frios
uma carne contra as notícias
quanto mais
quanto mais ainda menos
ir dormir
ir pedir razões ao subconsciente
ir nascer de uma ideia
não pensada
quanto mais
quanto mais ainda menos
ainda amanhecer na desculpa pendente
de grau superior
ainda pesar a metáfora e perder nela
a comparação
ainda calcular a cor e ver nela a dor
quanto mais
quanto mais ainda menos
ainda menos porque ainda mais
ainda mais mais.


Sylvia Beirute