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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011


Insomne

A minha cabeça não está mais aqui. Estará, porventura, em parte incerta. O tempo tem-se-me revelado escasso e cansaço é tudo o que resta em mim. O meu corpo cambaleia por aí porque é suposto. Percorro caminhos sem lhes atribuir destino final. Penso porque me é obrigatório e o sentir recusa-se-me por pensar demais. Já nem fascinar-me deveras, posso! E à noite o sono não vem e o tempo passa e o relógio toca e depois, já exausta de tanta exaustão, as pálpebras descaem aos poucos, não por ser natural, mas por ser suposto.


Joana Santos

domingo, 31 de julho de 2011

Provocatio


Escrever para viver

Dei tempo para crescer, para viver, para pensar. Não cresci. Viver? Talvez tenha vivido por escassos segundos. Pensar? Não me dei a tal trabalho. A minha cabeça é o abismo de amanhã, a desordem é completa, o caos instalou-se - tormento d'alma. Necessito da escrita para fazer soar em meros vocábulos o que na mente me vai. Busco organização, afirmo!


Joana Santos

sexta-feira, 24 de junho de 2011


Caro Ninguém

Confesso que não possuir habilidade para compor cartas. Possuo sempre uma ideia perfeita concebida pelo meu subconsciente corroído pelo cansaço, mas por mais que me esforce, por mais que tente, nada me parece bater certo, nada se assemelha àquilo que tinha em mente e os vocábulos que impinjo à folha branca que me atormenta, afiguram-se-me cada vez mais vazios, mais esgotados. Numa carta a alguém distante é suposto dizer como nos sentimos, o que fizemos e tencionamos fazer. E como é isso tenho de fazer (escrever) é isso que farei. O meu estado de espírito? Confesso que não sei, sempre achei que tal coisa existia somente em versos de poetas incompreendidos. Como me sinto? Hum… Como uma boneca partida a quem foi vedada, pela leis da Natureza, a possibilidade de retroceder para o passado, para a infância, para aquela terna afeição, e permanecer lá para sempre jovem e sempre sorridente. Mas tudo isso foi passado e o que passou nunca mais tem volta. Pensar nisto faz-me fome, fome de uma coisa que não posso obter e uma nostalgia enorme invade o meu inócuo ser. Que fiz? Declaro que não sei o que revelar, a minha memória é lacónica e o que resta dela são pequenos fragmentos de coisas puramente insignificantes. O que pretendo fazer? Apetece-me extorquir uma alma, uma alma de um idiota feliz talvez, porque um idiota feliz possui uma alma cheia, uma alma intensamente viva; e apetece-me furtar um coração, um coração três vezes maior que o meu para que, quiçá, possa sentir afecto pelo todo imperfeito que me rodeia. Não, caro Ninguém, não me aborrece cogitar isto, pelo contrário, parece-me uma boa forma de atingir algo que há muito tempo me parece inalcançável - a felicidade que arrancaram de mim enquanto me procurava no tempo estagnado.

Obrigado pelo tempo perdido,
Alguém.


Joana Santos

quinta-feira, 9 de junho de 2011


Heartbeat

Que espera louca e agoniante - um copo vazio de vodka é levado, acende-se um cigarro, inspira-se o fumo lentamente e lentamente se expira. A música alta penetra nos ouvidos e faz os corpos balançarem-se ao seu louco sabor. As luzes coloridas difundem-se pelo espaço. O fumo dos tantos cigarros acesos entranha-se na roupa. Ouvem-se risos alucinantes, gritos de alegria ou espanto. Um copo de "cola" com gelo chega. Apaga-se o cigarro, acende-se outro. Que espera. Nunca mais chegas? Será que sempre vens? Saboreio o cigarro que esfumaço e dominada pelo nervosismo bebo um gole da "cola". Chegas e cumprimento-te, sem acreditar que apareceste. Perguntas-me se seguiremos com o planeado, respondo afirmativamente e peço-te em troca um beijo. Secretamente, pretendo descobrir qual o sabor dos teus lábios, conhecer a intensidade e o poder do teu beijo, saber qual o nome do sentimento que vive em mim, quero certezas. Aproximas-te (des)ajeitadamente e os meus lábios envergonhados tocam nos teus desinteressados e desapaixonados. Numa fracção de segundos, o mundo desaparece, a música já não existe, todos desaparecem, só existimos nós, num mundo só nosso onde tu entras por mera obrigação. Afastas os teus lábios dos meus quando esperava/queria mais. Que belo beijo fugaz! Depois abraças-me e ao teu ouvido sussurro um "desculpa". Desculpa por não corresponder ao que é esperado/desejado por ti. " - Dominas-me o pensamento, não consigo dormir, não consigo esquecer. Não quero esquecer...!?" Caíu uma lágrima a caminho de nenhures.

Stop stealling my heart away
You're stealling my heart away

I don't know where we going
I don't know who we are
(...)

I can feel your heartbeat
Running through me


Joana Santos