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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013


Tempo 

Queria poder viver lentamente e, ao mesmo tempo, com intensidade. Queria ter tempo para desfrutar tudo o que realmente me importa. Gosto de partilhar abraços, afectos, palavras, sorrisos, silêncios… Gosto de inebriar-me com um beijo, lentamente, intensamente…
Não queria estar sempre a adiar. Quantas vezes “adiar” e “nunca” se tornam sinónimos? Amanhã faço! Não posso esquecer-me que apenas tenho o agora garantido. Do ontem, já só as memórias me pertencem e o amanhã pode não chegar nunca.


Missanga

sábado, 1 de setembro de 2012

Crónica Benzodiazepina


Circular é morrer

Morre-se muito nas estradas portuguesas, sendo diversos e distintos os factores que contribuem para este grave problema nacional. A grande maioria dos acidentes rodoviários são provocados por erro humano, nomeadamente por velocidade excessiva, manobras perigosas, condução sob efeito de álcool ou drogas, falta de civismo, entre outros. A não utilização dos sistemas de segurança obrigatórios (cintos, capacetes, cadeiras infantis) é um outro factor que faz aumentar exponencialmente o número de vítimas mortais em sinistros rodoviários. Há, no entanto, acidentes que têm a sua origem no mau estado ou má concepção das estradas e na sua deficiente ou inexistente sinalização. Não será pois justo imputar as culpas dos números negros de acidentes rodoviários somente aos condutores, cabendo-lhes, no entanto, a fatia mais grossa de responsabilidade. A actuação dos organismos competentes deveria pautar-se por um desempenho muito diverso do que tem vindo a ser feito, não se demitindo das suas responsabilidades e fazendo campanhas adequadas e agressivas, que mostrem, brutalmente e sem rodeios, os efeitos nefastos dos acidentes. As multas podem influenciar o comportamento de alguns condutores, mas não são suficientes para mudar toda uma cultura de condução (mal) implementada, devendo a punição para pessoas condenadas criminalmente neste cenário, passar pelo trabalho cívico com sobreviventes mutilados de acidentes. É difícil mudar mentalidades e hábitos (mal) adquiridos mas, tendo em conta os benefícios que poderiam ocorrer ao serem postas em prática algumas medidas mais agressivas, certamente valerá a pena o esforço. 


Missanga


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

OS CINCO SENTIDOS - O OLFACTO - (I) - Provocatio


Zacarias

Gostava de flores, mais precisamente, dos seus inebriantes aromas. Jamais saía à rua sem uma flor natural na lapela. Desgraçadamente, não tinha o mínimo jeito com elas. Todas as que plantou no seu pequeno jardim morreram antes de florir. Assim, comprava belos arranjos que espalhava pela casa, passeava-se por jardins públicos e privados, sempre de faro apurado e, para desespero e irritação da sua mulher, passava subtilmente por velórios de desconhecidos só para poder sentir o cheiro das suas amadas flores. “Ó homem de Deus, mas tu não vês que as flores dos velórios até cheiram a morte?” Ela não comprendia. Uma flor é uma flor seja em que local for, o aroma que solta não se altera consoante a sua localização geográfica.

" - Será mesmo, Zacarias?"


Missanga