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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

PALAVRA EXPERIMENTAL (X)


QUIRAL

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street secret street street
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street street street street
street secret street street
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um segredo murmura do outro lado
do silêncio
como um pássaro que silencia o ar.


Sylvia Beirute

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Palavras Versadas


DIANTE DO MUNDO

diante do mundo,
ele exclui a fuga possível, a numeração
das palavras
como soma da simplicidade. é impossível
recordar
quando se ouve outra música.
(a distância é uma garrafa que tenho
na barriga).
diante do mundo, ele procura o silêncio
dentro da legibilidade.
e os dias são os mesmos,
excepto a sua removabilidade,
excepto a susceptibilidade de podermos tirar
uma coisa e depois outra e outra
e outra.
daqui a pouco, diante do mundo,
direi o indizível
com as palavras que ele me tirou
(e que aparecem na minha garrafa)
e será ainda e sempre
diante do mundo, na nudez que o observa
igualmente.


Sylvia Beirute

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Palavras Versadas


CINDERELA

cinderela na rua do mundo.
doces olhos vezes baixinho.
a escrita sobe pelas escadas.
as páginas são sempre a próxima página.
todas as pessoas estão no lado direito
das suas opções.
o corpo já não contém cinderela
na rua do mundo.
há pontos do meio em forma
de poesia inglesa.
as pessoas salvaguardam o seu património.
desaparecem palavras belas daqui.
é meia-noite mas há muito
que anoiteceu.
a neurose intelectual está diante
do meu último capítulo.


Sylvia Beirute

terça-feira, 5 de junho de 2012

Palavras Versadas


TU NUNCA FOSTE UM ANÚNCIO

tu nunca foste um anúncio
nunca vendeste nada
nem sequer o teu amor

tu nunca tiveste qualquer pequena coisa
à prova de bala
tu nunca escreveste coisas simples
{coisas como eu gosto de ti
ou és especial}

tu nunca foste uma resposta
e talvez por isso te perguntei
tanta coisa.


Sylvia Beirute

domingo, 12 de fevereiro de 2012

SETE DIAS VEZES POESIA (VI)


AMAR EM PEQUIM

seguir as regras do improviso.
evitar as metáforas.
o abc imaginário.
amar em pequim.
e a sucessão de factos.
a sucessão de factos
faz-me respirar as estranhezas
nos olhos.
um vazio separa um reconhecimento.
o amor tem aqui a sua pequena reserva.
a última palavra.
e é abstracto.
e existe em protesto.
é amar em pequim
com os meus finais tão óbvios.
e uma pequena alteração
é frequentada por uma
grande alteração.
e o que existe? o que sucedeu ao morador
na minha criatividade?
como sobrevive um amor não criativo?
a tempestade de areia
também segue as regras
do seu improviso.
a cómoda situação do resto do mundo
é assinalada
pela cor azul eclecticamente misturada
como o romance entre dois números.
não é possível.
como é possível?
há um pouco de morte aqui
ou então um pouco de felicidade,
felicidade
em quantidade tão diminuta
que só torna ainda mais presente
o seu inverso.
pequim é um vírus.
o seu autodesconhecimento
é a minha arte.
o meu desprezo pela
utilidade prévia de todas as coisas.
e sigo as regras do seu improviso.
evito as metáforas.
o abc imaginário.
sei amar em pequim.
conheço qualquer lugar.


Sylvia Beirute

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

1º ANIVERSÁRIO D'"O FILÓSOFO E O FANFARRÃO" - Palavras Versadas


TEXTO PARA TEATRO

primeiro acto,
implicações diferentes:
o acusar o teu progenitor de
adultério no momento da tua confecção
e a peça do teu rosbife;
a palabra «imundo» que tem
a palavra «mundo»
e um pleonasmo de talento
num feto morto.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
segundo acto,
vultos iguais:
a sensação de exame e este amor que é
uma estrada secundária;
o não ouvir o que escuto
e invejar a liberdade do teu ar.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
no terceiro acto
a palavra magnifica do mesmo modo
e o poema se perde
como se nunca tivesse existido.


Sylvia Beirute

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Palavras Versadas


FOTOGRAFIA À BEIRA-MAR

à beira-mar. 
e é da interrupção deste desejo 
que nasce este desejo;
é da interrupção desta capacidade
que se realiza esta capacidade;
é da organização do som 
que se mede o poder do embate;
é do soluço desta peixidez
que fazemos por fim nosso
o nosso mar;
sempre uma coisa na dependência
dessa mesma coisa ou algo
à beira-mar.
sempre uma nova pessoa
que nasce dela mesma.


Sylvia Beirute

domingo, 20 de fevereiro de 2011